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Fabio Benetti

I N Q U I E T U D E S

Inferno e paraíso. Amor e ódio. O sagrado e o profano. Os opostos na obra do paulista Fabio Benetti, 45, se misturam e se sugam até se confundir com a mais autêntica expressão em transmudar o real até que este assuma uma dimensão metafísica, e igualmente à altura das experiências sensórias que o pintor muitas vezes só guarda na memória pelo relato de terceiros: desde a incorporação de velhos pajés taciturnos e visões vertiginosas com condes medievos, a uma experiência de quase morte ao cair do terceiro andar de um prédio.

O expressionismo bruto, quase primitivo, exsuda por isso de seus quadros por meio de uma paleta de matizes abstratas e densas, em que a própria densidade de cada pincelada parece declarar uma recusa contra o excesso de racionalidade, e que, por sua vez, tanto limitam os canais sensoriais responsáveis para se atingir uma compreensão mais profunda dos sentimentos humanos.

Deformam-se assim objetos e pessoas para extrair, de suas vísceras, os sentimentos mais secretos. E, consequentemente, os mais verdadeiros. Como se afinal a distorção dos rostos até deixá-los quase indetectáveis fosse o único caminho para buscar uma expressão mais sincera da natureza humana.

Através ainda de cores vibrantes e impetuosas – e que decerto também possuem uma estreita relação com o profundo interesse de Benetti pela magia energética da física quântica - , o artista busca assim uma comunicação emocional própria como se quisesse desnudar os pigmentos que estão igualmente cunhados nas paredes pictóricas de seu próprio psiquismo. E que, de certa forma, também foram sendo argamassadas pelas inúmeras experiências mundanas advindas com suas viagens transcendentais pela Europa, Ásia, África e Estados Unidos, onde, inclusive, pôde absorver o sumo da arte milenar e contemporânea nos mais inusitados museus.

Foi justamente nesse período que, aos 42 anos, Benetti decidiu abandonar o mundo sufocante de sua cidade natal, e que por anos oprimira a sua real inspiração. Para tanto, largou corajosamente uma carreira bem-sucedida de mais de quinze anos como advogado tributarista, mas que tanto lhe tolhia a sua latente vocação.

Suas tantas inquietações e temáticas também estão, por conta disso, soterradas por camadas agônicas de tintas, como se o pintor quisesse cobrir, sempre aflito, um passado que lhe é tanto impossível esquecer quanto resgatar. O esquecimento é a morte, e por isso suas nostalgias de alguma forma estão todas lá, condensadas numa refração difusa das cores que escorrem pelas telas como se fossem as lágrimas de um gozo pulsante e que nunca se consome por completo.

E, ao contrário do equilíbrio previamente calculado de um Kandinsky, a instabilidade dos traços deste artista só faz aflorar a impossibilidade de manter qualquer tipo de harmonia com o mundo, posto que a harmonia também seria o contrário ao questionamento inevitável da alma perante as inquietudes da vida. Por isso suas cores vibram, e vibram de modo sempre intenso e inconstante.

Benetti, por meio do lirismo soturno de sua pintura, consegue enfim nos transmitir uma grande proeza: o equilíbrio do pensamento só pode ser expresso pela irracionalidade dos instintos.

 
Fabio Benetti - GAFB--152X220-AST-Disp.Art.
Fabio Benetti - GAFB001-120X140-Revolução-AST
Fabio Benetti - GAFB-140X120-Fogo - AST-Disp.Art.
Fabio Benetti - GAFB002-160X200-Liberdade - AST-Disp.Artista
Fabio Benetti - GAFB-140X120-Conspiração-AST-Disp.Art.
Fabio Benetti - GAFB-140X120-Entrelaçamentos-AST-Disp.Art.
Fabio Benetti - GAFB-140X180-Possibilidades 1 - AST-Disp.Art.
Fabio Benetti - GAFB-140X120-Sincronicidade 1-AST-Disp.Art.
Fabio Benetti - GAFB-140X120-Sincronicidade 2-AST-Disp.Art.
 

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